domingo, 15 de janeiro de 2012

Esvaziamento cervical parcial

A segunda cirurgia passou, foi dia 21/12/2011. Então vcs já devem imaginar que passei meu natal com um dreno. Como disse no post anterior o objetivo era a profilaxia: tirar linfonodos para ver se o câncer não tinha ido para o pescoço também.

Dei sorte de ser um esvaziamento cervical parcial, isso quer dizer que não afetaria meus músculos do ombro. Que eria bastante trágico visto que no meu trabalho não tenho como ter um braço "bobo".

Nessa cirurgia entrei mais tranquila. Na sala pré-anestesia não tinha ninguém. Cheguei na mesa de cirurgia e o Dr. Gentleman estava no MacBook dele checando e respondendo e-mails. Senti inveja. Gostaria de naquele momento estar fazendo o mesmo na minha sala do escritório. Mas lá estava eu na mesa de cirurgia. DE NOVO. AGAIN. TWICE.

Fiquei esperando o anestesista, o mesmo da outra vez. Meio engraçadinho.

Conversei com o Dr. Gentleman mais uma vez: "Nada de sonda dessa vez, promete?". Só para ter certeza que eu não acordaria com uma surpresinha indesejável.

Fiz a cirurgia. E acho que acordei entubada. Não conseguia mexer a cabeça direito, ouvido meio tampado. Lembro do anestesista Dr. Pseudo-carioca engraçadinho falando "ACABOOOOU". Acordei normal. Sou tão careta, mas tão careta que nem com anestesia fico grogue.

Fiquei na recuperação rapidamente. Aliás, eu não. Eu e o meu dreno. Fui para o quarto com o pescoço com curativo. Além da semana angustiante da sonda, passei por outra semana angustiante: esperar o resultado da análise da retirada desse material.

O calculo era simples: 50/50. Ou seja, eu tinha 50% de chance de ganhar minha vida de volta em alguns dias. Ou 50% de chance de estar bem *odida. Cara ou coroa. Se desse 1 linfonodo acometido, eu teria que fazer radioterapia no pescoço, acarretando em algumas sequelas temporárias e outras a longo prazo.

Essa semana demorou a pessar. Eu e o dreno. O dreno me acompanhava no pânico. Eu só pensava em um número: 0. Tem que dar zero.

SIM, EU GANHEI NA MEGASENA DA VIRADA!(isso é uma metáfora, não me sequestre!)

Não havia nenhum linfonodo comprometido... e me tiraram 57. 0/57. Número lindo. LINDO!

Nesse dia chorei muito, e na frente do Dr. Gentleman. Havia dado certo.
Ele ainda completou: "É o melhor prognóstico que poderíamos ter. Você não vai precisar de radioterapia. Vida normal".

Ele disse que a chance da doença voltar seria pequena, e que eu deveria voltar em 45 dias. Me liberou também para começar a comer sólidos... ou seja, aos poucos as coisas voltavam a ser normais. No reveillon tive o Natal que passou em branco. Comi camarão, salmão, coca-cola... tudo que eu tinha direito. Isso é vida.

Ainda hoje estou com micropore no pescoço, que só devo tirar em 28/01/2011. Falo enrolado mas um pouco melhor. Já consigo dormir de todos os jeitos, o que é um alívio. Ainda não se passou nem 1 mês da cirurgia, passaram-se três semanas. Meu sorriso ainda está meio torto, mas o Dr. disse que é a longo prazo para tudo voltar ao normal...

"Você precisa ser paciente" - disse.

Mal sabe ele...

Não tive dor, o que me incomoda mesmo é esse sorriso estranho. Mas o que é isso perto da certeza de ter todos os linfonodos limpinhos? Uma coisa incrível!

Um comentário:

  1. Mocinha,

    quer dizer que somos colegas de profissão é? Precismos conversar a respeito disso hã...
    Andei lendo seu blog para conhecer sua história, fico muito feliz por seu prognóstico ser muito bom!
    Ah! Obrigada pela dica do óleo para as unhas.

    Um bjo

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